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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Em solidão

O que faço da solidão, quando nos momentos que mais preciso tu não estás?

O que faço da solidão quando nos momentos de dividir sou eu só?



Perco-me na imaginação.

Disperso-me em sonhos.

Desfaço-me em devaneios e nada muda!



As marcas da distância me dilaceram o coração.

As cicatrizes da lembrança me doem.

As estocadas de tua ausência me ferem o peito.



O que faço da solidão?



Tentativas vãs são apenas paliativos.

Tal infante embarcado, busco consolo em mim mesmo.

Dou asas ao pensamento e me deleito com imagens forjadas.

Construo um castelos de nuvens. Nele és meus prazeres.



Quando ao calor do banho meu corpo se aquece,

Minhas mãos se tornam teu corpo.

Revivo atitudes da segunda infância e adolesço.

É no auge de meu sonho, embalado pelo desejo, eu jorro.

Desfaço a perpetuação de nosso amor.

Meu clímax, meu prazer escoa pelo ralo.



Em instantes meu deleite se torna dolorido.

O ranço de não te ter tido faz de mim um sofredor,

O prazer é suplantado pelo arrependimento,

O deleite perde para a ausência.

Foi só fantasia!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Amores em vão

Por quantas bocas viajarão meus lábios,

Até que seja possível o bailar de nossas línguas?



Por quantos corpos serei envolvido,

Até que seja abrigado pelo calor que emana do teu?



Por quantos seios haverei de tornear,

Até que me seja oferecida a maciez dos teus?



Por quantos ventres haverei de me aventurar,

Até que me seja dado o sorver dos desejos teus?



Por quantas mulheres haverei de ser acariciado,

Até me seja definitiva a carícia que é tua?



Por que caminhos haverei de percorrer,

Até que me seja permitido o teu amor?



Pois então e só então, saberei

Que tudo enfim, foi em vão!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Almas solitárias

Almas são iguais...

sim, muitas almas são iguais...

são iguais e não sabem.

almas são ocultas, obscuras,

são tímidas, individualistas.

almas são egocêntricas.



almas são almas.

são sonhos.

almas são únicas,

são iguais em sua desigualdade.



almas são almas,

apenas não sabem.

almas são o não saber

e assim o são às penas.



almas são apenas!

almas são sós.

almas são almas!

almas somos nós!

somos sós!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Onde anda minha luz?

Onde anda minha luz?

Onde anda teu brilho?

Onde anda minha estrela?



Perdi meu rumo.

Apenas trevas.

Perdi meu prumo.

Já não me levas.



Onde anda minha luz?

A que sempre me ilumina,

A que sempre me conduz,

E meu desejo alucina.



Onde anda com teu brilho?

Tua luz é meu caminho,

Por ela que eu trilho,

Não me sinto sozinho.



Onde anda minha estrela?

Aquela com quem converso.

Que me faz querer tê-la,

Que ilustra o meu verso.



Estrela, bela estrelinha,

De brilho encantador.

Um dia te faço minha.

Serei eu teu sedutor.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Amar você é assim

Sonhar o seu sonho.
Por você ter apego.
Viver de esperança.
Imaginar seu chamego.

Amar você é assim.
Sentir seu corpo vibrar,
Mesmo que nunca na vida,
Possa uma vez lhe tocar.

Amar você... é superar o medo,
É guardar este amor em segredo,
É com seus beijos sonhar.
E mesmo que seus lábios não me toquem,
Me sentir em verdade beijado.

Que os puritanos se choquem,
Toda minha a você imaginar.
Do teu seio em minha boca,
Ao teu jeito doce de amar.

Amar você é buscar liberdade
E estar sempre presente.
Imaginar a distância
Infinitamente ausente.

Amar você é ser seu
E crer que você é minha.
É fazer o imaginário real
E no real lhe tornar rainha.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Por medo de sofrer

Vives guardada em recato.

Escondes de ti mesma o fato

Do amor real que tu tens.



Guardada em nome da dignidade,

Esquecestes de uma a verdade

Que este amor te faz bem.



Te fechas e te repreendes.

A teus instintos te prendes

E sofres com teu fervor.



Na barreira por ti construída

A paixão se vê reprimida,

Impedida desse amor.



Não te verás prostituída

Se fores então possuída

Pelo fogo que te queima.



Jamais te sentirás mulher,

Nem por instante sequer,

Perdida nesta teima.



Perdes pois o prazer da vida

Em nome de uma ferida,

Marca do teu passado.



Sofres em nome de quem?

Pois se existe outro alguém,

Por ti apaixonado!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ABRA-TE

Abre-te, mostra-me teu peito,

Deixa-o flutuar exposto.

Nele me fartarei,

Dele farei meu conforto.



Abre-te, mostra-me tua entranha,

Deixe-a de todo receptiível.

Nela me fartarei,

Por ela serei apraziível.



Abre-te, mostra-me teu maior segredo,

Deixe-o ao experimento.

Nele me fartarei,

Dele farei passatempo.



Abre-te, mostra-me teu coraçaão,

Deixe-o por seres amada.

Nele descansarei,

Dele farei minha morada.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Lágrima

Uma aflição!
Um aperto no peito!
Uma dor profunda!
Não era dor de doer, era dor de machucar!
Era dor de sofrer, dor de magoar!
Foi nascendo, crescendo, doendo.
Os olhos se fecharam.
Os olhos arderam.
Nasceu uma gota.
Cresceu.
Escorreu.
Rolou pela face.
Molhou-a em seu caminho.
Não lavou a aflição.
Não lavou o aperto.
Não lavou a dor.
Não lavou o que levou.
Foi só uma lágrima.
Aflita!
Apertada!
Dolorida!
O início de um pranto!