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sábado, 26 de dezembro de 2009

BÊNÇÃO NATALINA

Nos olhinhos de um menino... embevecidos
Pela imagem de um instante natalino,
Há um brilho luminoso... distraído
Que descobre...num presépio... outro menino...

Comovido, ele observa...atentamente...
Os reis magos, a vaquinha, o carneirinho...
No seu peito, uma voz diz... sublimemente:
- Eu queria ser aquele menininho...

Um anjinho sobrevoa esse momento
E no enlevo delicado desse vôo,
Há bem mais que um sublime sentimento:
Ninguém ouve, mas Deus diz: - Eu te abençôo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

APRENDIZADO

Tu aprendes sempre... o aprendizado
Não se esgota... até quando a vida finda,
Ele vem no teu silêncio mais calado
E te diz... agora sabes mais ainda...


Teu amor e tua sensibilidade
São motores do teu velho coração,
Que suporta tanta dor, tanta maldade,
Tanta angústia, tanto medo... e solidão.


Estar só é não sentir calor humano
No silêncio, quando a dor sente saudades...
Mas se a dor vê o amor em outro plano,
É no amor que a dor dói mais, com mais verdade.


Cicatrizes são lembranças registradas
Nessa carta que o passado nos envia,
Quando as dores doem mais desesperadas
E as almas são mais tristes e vazias...


Entretanto se as marcas produzidas
São olhadas de maneira natural,
Elas são o que ficou dessas feridas
Que agora nunca mais nos farão mal


Só te curas, quando a dor que te maltrata
Não te mata, entretanto te acostuma
A entender que em tua dor, o amor resgata
A esperança de viver... sem ter nenhuma.

Todo dia, a cada instante... toda hora,
Há uma dor que nos maltrata e incomoda,
Quando as dores finalmente vão embora,
Uma flor nasce do amor que alguém nos poda.


É assim a nossa vida... a experiência
Não repousa nessa vã filosofia
Que discorda muitas vezes da ciência
De viver a vida sem hipocrisia...


Todavia, na razão que paira leve
Sobre a lógica sublime de uma dor,
O amor brinca com a dor e a torna breve,
Porque ela é a razão do próprio amor.

A Prece que DEUS Escuta

Tu tens o dom de permitir que eu chore ou ria...
E quando eu rio e choro no mesmo momento,
A dor se torna o mais frágil sentimento
Que se dissolve em paz, em fé, em alegria.



Há, nessa espécie de êxtase e fantasia,
A harmonia entre o que se vai chorando
Com o que se ri... ou se sorri... se misturando...
Em cada tom da mais feliz fisionomia...



Tua emoção, como um perfume,me entorpece
De uma alegria tão sublime e eficaz,
Que quando o pranto surge, ele agradece



Ao meu sorriso algumas vezes tão... fugaz,
Mas que ao nascer sobre o meu pranto, é uma prece
Que, com certeza, Deus escuta muito mais.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Palpitações

Teu coração te palpita
Porque tem aprisionado
Um velho amor que te grita
De um tempo do teu passado.

Teu coração maltratado
Por teus sutis devaneios,
Grita sem ser escutado
Por quem não tem teus anseios.

E essa aflição repentina...
Que importa de onde ela veio ?
O importante, menina,
É que ela pulsa em teu seio.

sábado, 12 de julho de 2008

QUEM ME IMPEDIRIA DE SONHAR ?

Quem me impediria de sonhar ?
Senão a minha dor bem mais intensa !
Sou muito resistente, o meu olhar
Resgata em teu olhar a recompensa.



Quem me impediria de te amar,
Senão teu coração mais arredio,
Que às vezes nem me diz se vai voltar
E sai buscando um mar...no meu navio.



Quem me impediria de querer
Teu corpo, mesmo silenciosamente ?
Se fecho os olhos, busco te rever...
No espelho de um amor inconseqüente.



Procuro nos meus sonhos te esconder,
Mas meu olhar te mostra a todo instante...
Quem mais me impediria de te ter,
Se sou, sem nem saber... o teu amante ?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

SEGREDOS SOLITÁRIOS

Segredos de amor são passarinhos
Que pousam, quando a angústia desespera,
No olhar de quem constrói antigos ninhos
No abismo solitário das quimeras.


Segredos são silêncios agitados
No leito de antigos pesadelos ...
No instante em que eles são compartilhados,
A linha embaraça os novelos.


Ocultas, por pudor, os teus segredos,
Mas podes demonstrar, silenciosa,
Que a dor procura amor dentro dos medos
Da ausência desse amor... maravilhosa.


A lágrima é rio cujas águas
Dissolvem a mudez num riso antigo
Que chora a solidão de tantas mágoas
E num oculto amor procura abrigo.


Se não podes dizer tudo o que sentes,
Revela, através do teu olhar,
As tuas solidões mais exigentes
Que fazem teu amor rir... e chorar.



Quem sabe, alguém sorria ou também chore
Pedindo que a tua solidão
Entenda o seu segredo, e te implore
Que o guarde dentro do seu coração.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

PELE DE PÉTALA

Como uma pétala, o verso,
Solta-se tênue...da alma,
A brisa vem... e o acalma
Pacificando o universo.


O coração do poeta,
Imerso em tantos enleios,
Repousa nos devaneios
Onde o amor se aquieta.


Os olhos buscam-se...frágeis
E as mãos... muito menos ágeis...
Se tocam... e o sentimento


Afaga a pele das flores,
Polinizando os amores
Que o sonho solta... no vento.

sábado, 13 de outubro de 2007

MAIS UM SONHO DESSES TANTOS

Tu pedes com teus olhos que eu te abrace,
Te beije, te namore, te possua;
No fundo gostarias que eu ficasse
Dizendo eternamente que sou tua.

Depois, sem que eu perceba, tu te afastas,
Felino, sorrateiro, calmamente,
Deixando solidões, dores nefastas
Que ocupam meu silêncio... vagamente.

Por ser mulher me deixo, seminua,
Sonhar com teus afagos repentino;
O sonho irreal não atenua
A dor de perceber nossos destinos.

Então, imaginando quando voltas,
Entrego-me aos antigos abandonos,
Sem ódio, sem rancores, sem revoltas,
Sem medos, sem pudores mas... sem sono.

Só peço que quando tu me chegares,
Não sejas mais um sonho desses tantos
Que nascem das angústias e pesares
E morrem na correnteza dos prantos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

LÁGRIMAS DE PAZ

Tu me pedes um poema sobre a paz...
Arbitrária, a consciência me intima;
Tu só queres poesia, nada mais,
Faço um verso solitário...falta a rima...

Minha dor inevitável me vitima
O que quer o meu silêncio ? Poesia ?
A tristeza me maltrata e desanima,
Mas o tema paz me acorda e desafia.

Não há paz que não decorra de uma guerra,
Não há guerra que acabe sem deixar
Sobre a relva que resiste sobre a terra
Uma lágrima que brota de um olhar.

Todos querem uma paz que não existe,
Pois enquanto houver alguém chorando um morto,
Haverá um coração vazio e triste
E o navio do amor deixando um porto.

E enquanto houver alguém passando fome
Solitário, sem nem ter onde morar,
Sem família, sem destino e sem nome
Mas... que paz nós haveremos de cantar ?

Sou poeta, faço versos, sei compor.
Mas enquanto a poesia se enfeita,
Toda a paz que existe em meu interior
Se dissolve numa lágrima...
perfeita.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

SEM SABER ONDE PISAR

Tu me chamas, eu te sigo mas... hesito;

Há conflitos dentro do meu coração;

O amor é um sentimento tão bonito,

Que se perde às vezes, dentro da paixão.



Tu te apressas em viver este momento,

Eu me ausento, temo me fragilizar

Quando as pétalas perderem-se no vento

Nevoento da ilusão do meu olhar.



Não percebes, mas meus olhos solitários,

Solidários não resistem... vou chorar;

Os teus sonhos criam vãos itinerários

E eu os sigo, sem saber onde pisar.



Tu insistes e me tomas pela mão,

Mergulhando o teu olhar nos olhos meus;

E me beijas... eu me rendo à sedução

Minha dor, timidamente diz: - Adeus.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

TINTA TRANSPARENTE

A lágrima desmente o que eu sinta...
- Não minta - ela escreve no meu rosto -
E pinta, numa transparente tinta,
Palavras, revelando o meu desgosto.

Um riso tênue tenta despistá-la,
Mas ela, essa lágrima sensata,
Desliza, embora eu tente não chorá-la
E fala de uma dor cruel... e ingrata.

Procuro enxergar alguma luz,
O pranto embaça as formas da saudade
De um tempo que me invade e me seduz...
Meu rosto, quando ri, é sem vontade.

Garimpo a solidão, buscando alento
Nos fatos mais sublimes...diamantes
São pedras preciosas... sentimentos
São flores, não são pedras cintilantes.

Um frio invade, então, as minhas veias
E vai gelando meu interior;
Procuro, em vão, no fundo das bateias
Só um cristal de sonhos... multicor...

Meu coração se fere, quando pulsa;
É como se, no fundo do meu peito,
O amor tratasse a dor com mais repulsa...
O amor só quer, da dor, algum respeito.

Questiono minha vida de poeta...
Eu tenho alguns dons, mas a poesia
Só torna a minha vida mais completa
Se a minha alma não está...vazia.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

PRAZEROSA FICÇÃO

Abraço o teu abraço sem senti-lo
Na epiderme... sinto-o na alma...
É o teu amor que vem e me acalma...
Tu feres meu silêncio... sem feri-lo.

Eu beijo o teu beijo sem beijá-lo
Nos lábios, beijo só a sensação
Do teu amor... que bom que é guardá-lo
Inteiro... dentro do meu coração.

E nessa ficção tão prazerosa,
Que cria a emoção mais poderosa
Do verdadeiro amor que se extasia....

Meu coração, em sonhos cor-de-rosa,
Descobre a proteção afetuosa
Do teu amor na minha... fantasia.
...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

DISSIMULADA

Tu me olhas tão...dissimuladamente,

Provocante, instigando o meu olhar...

Como um barco, eu me solto docemente

Nos teus olhos, sem saber se vou voltar.



Quando esse teu olhar te denuncia

Não há como controlar meu coração,

O amor desobedece à fantasia

E se solta nos abismos da paixão.



Misturadas na angústia dos desejos,

As palavras, na linguagem do prazer,

Em carícias labiais, fazem dos beijos

Muito mais que o nosso amor possa dizer.



Quando o êxtase se solta dos anseios,

E a vontade sensual se atenua,

Meu olhar percebe as curvas dos teus seios,

Minhas mãos percorrem tua pele nua...



Teu olhar de novo, insistentemente,

Me provoca... tu és tão dissimulada...

Lá vou eu precipitar-me na corrente...

Tu me olhas...tua boca... não diz nada.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

TEATRO -

As máscaras aguardam tua face.
Qual delas usarás para sorrir ?
Se ao menos a platéia te notasse...
Sorris, mas o teu riso quer fugir...

As luzes se acendem, as cortinas
Arrastam-se sutis sobre o tablado,
O palco é um olhar onde as retinas
Escondem outro olhar... desconsolado.

Misturas a atriz na personagem
Disfarças tua dor sem maquiagem
Num riso quem nem ris... ele é pintado

Na máscara infeliz dos devaneios
Que escondem, no vazio dos teus seios,
Um triste coração...apaixonado.

Teu Beijo Azul

Teu beijo mais azul sempre me chega
Volátil... intensamente nebuloso...
No meu olhar um riso se aconchega
Serenamente azul e... afetuoso...

Teu beijo azul é sonho...aromatiza
O meu silêncio... eu sinto essa leveza
Que aos poucos te instala e te eterniza
Em minha alma azul... por natureza.

Azuis... nossos espíritos se elevam
Voláteis pelo ar... entorpecentes...
Eu sinto esse azul... tu também sentes

Nos sonhos silenciosos que nos levam
A essa emoção de sublimar
A essência desse azul... em nosso olhar.

sábado, 21 de julho de 2007

AMIGO-IRMÃO

Perdoa-me, Senhor, pela ansiedade
De cada irmão que tenho e que me ama,
Respeita, sente afeto, tem saudade;
Mas, sempre, sabiamente, nem reclama...


Perdoa-me, meu Deus, se desencanto
Aquele que espera muito mais
De mim... pois com certeza me ama tanto
Que quer sentir, comigo a mesma paz...


Tu sabes, meu Senhor, da minha vida;
Conheces cada passo que é dado
Por mim, quando uma dor despercebida
Não mostra ao meu amigo, um outro lado.


Mas sabes, meu Senhor, que quando posso,
Em minha silenciosa oração,
Elevo o pensamento a ti, Pai Nosso,
E peço sempre pelo meu irmão.


A vida é tão simples...que possamos
Buscar seu lado bom e compreender
A essência do irmão que tanto amamos
Justificando o ato de viver.


Amigo não tem dia, tempo ou hora;
Mas sempre é tempo de valorizar
A vida do irmão... se ele vai embora
Às vezes pode nunca mais voltar.


Por isso, meu irmão, ao festejar,
O dia do amigo... com respeito,
Que eu possa muito mais te admirar
E que meu coração bata em teu peito.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

MUITO MAIS QUE UM PRISIONEIRO

O amor chega como um pássaro que canta;
O amor encanta com tanta espontaneidade
E com virtudes poderosas... e são tantas,
Que não há como ignorá-las, de verdade.
Alguns o prendem em gaiolas coloridas
E o exibem como um lírico troféu;
Aprisionam, entretanto, suas vidas,
Mas todo pássaro extasia-se com o céu.
Até que um dia, a porta aberta da gaiola
Mostra, lá fora, mais que um céu de passarinhos;
O amor, então,esquece a grade que o isola
E se consola com a ilusão de outros caminhos.
O amor é assim, pode voltar a qualquer hora;
Há alimento e solidão no cativeiro
Mas quando o sonho de voar fica lá fora,
Ele se sente muito mais que um prisioneiro.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Vinho tinto

Tu esmagas tuas uvas, me esmagando,
Quando pisas, provocante, um coração
E o vinho sedutor que vais criando,
Reproduz o amor em nova dimensão...

Tu fermentas minha dor, adocicando
Com teu néctar sutil a solidão
Que eu sinto, e o teu amor, me procurando,
Enlouquece... muito mais... minha paixão...

Com o vermelho vinho tinto eu me embriago
E me perco de mim mesmo a cada afago
Quando beijas minha boca entorpecida

Por teus beijos, como esse vinho tinto,
Que avassala todo amor que eu te sinto
Percorrendo minha alma... enlouquecida