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sábado, 21 de junho de 2008

As Estações do Amor...

Eu tinha para mim que eras pura e sincera,
e por isso, talvez acreditei em ti...
Nesse tempo, em meu ser, fazia a primavera
e as flores do meu sonho em minha alma colhi...

Depois... Foi de repente... Ao passar da estação,
tornou-se o meu amor maior... e mais ardente...
Havia no meu peito o calor do verão,
- e julguei que eras minha, minha inteiramente...

E o tempo foi passando... E tudo, pouco a pouco
mudou - e me senti num completo abandono...
Caíram para sempre as ilusões - e eu, louco,
as vi secar no chão como folhas de outono...

E um dia... Veio o inverno insípido e tristonho,
- fazia muito frio... e em minha alma nevou...
E a neve foi caindo, e sepultou meu sonho.
..........................................................................

As estações do tempo... As estações do amor...
Parecem muito iguais... e diferem no entanto,
- naquelas há o voltar da alegria e da cor
ao de novo surgir, da primavera , o encanto...
Mas nas outras, depois do inverno, nada existe...
Tudo é branco... tristonho... frio e desolado,
- recorda-se a chorar - e vê-se o como é triste
lembrar a primavera antiga do passado !...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Exaltação do amor

Sofro, bem sei... Mas se preciso fôr
sofrer mais, mal maior, extraordinário,
sofrerei tudo o quanto necessário
para a estrêla alcançar... colher a flor...


Que seja imenso o sofrimento, e vário!
Que eu tenha que lutar com força e ardor!
Como um louco talvez, ou um visionário
hei de alcançar o amor... com o meu Amor!


Nada me impedirá que seja meu
se é fogo que em meu peito se acendeu
e lavra, e cresce, e me consome o Ser...


Deus o pôs... Ninguém mais há de dispor!


Se êsse amor não puder ser meu viver
há de ser meu para eu morrer de Amor!

domingo, 21 de outubro de 2007

Gostaria

Queria compartilhar contigo os momentos mais simples
e sem importância.
Por exemplo:
sair contigo para passear, sentir-te apoiada em meu braço,
ver-te feliz ao meu lado
alheia a todo mundo que passasse.

Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,
tomar sorvete, sentar num restaurante
diante do mar,
olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo
despreocupadamente,
e conversar sobre "nós" – esse "nós" clandestino
que se divide em "tu e eu"
quando chega gente.

Encontrar alguém que perguntasse: "Então, como vão vocês?"
E me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome
e juntasse assim nossos nomes, naturalmente,
na mesma preocupação.

Gostaria de poder de repente te dizer:
Vamos voltar pra casa...
( Como se felicidade pudesse ser uma coisa
a que tivéssemos direito como toda gente)
Queria partilhar contigo os momentos menores
da minha vida,
porque os grandes já são teus.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dois Caminhos...

Eu queria te dar minha emoção mais pura,
associar-te ao meu sonho e dividir contigo
migalha por migalha, o pouco de ventura
que pudesse colher no caminho onde sigo...


E esse estranho desejo em que se desfigura
a palavra de amor e pureza que eu digo,
- e queria te dar essa minha ternura
que às vezes, por trair-se ao teu olhar, maldigo...

Bem que eu quis te ofertar meu destino, meu sonho,
minha vida, e até mesmo esta efêmera glória
que desperdiço a cantar nos versos que componho...


Nada quiseste...E assim, os sonhos que viviam,
se ontem, puderam ser um começo de história,
hoje, são dois caminhos que se distanciam...

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CAMINHOS OPOSTOS
Lêda Mello

Querias dar-me o teu melhor. Querias!
Desejo e verbo no tempo imperfeito.
Agora, que é passado, atavias
senil presente sem causa e efeito.

Em mim preferes colocar a culpa
de tal querer que não levaste avante.
Tu foste omisso, é mera desculpa,
bem sabes, te esperei a cada instante.

Sonhos, apenas, nada foi real,
amor vivido no mundo ideal,
no desperdício do que não me deste.

E assim estamos, tu e eu, distantes,
porque guardaste teus sonhos amantes.
Querias, mas, de fato, não quiseste...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Que importa se chove?

Que importa se chove? Eu não vejo a tristeza do céu

Eu vejo é a alegria da terra.

Que importa se a chuva nos espia curiosa

Com seus olhos nublados nas janelas...

Eu não vejo a tristeza do céu, eu sinto é a alegria da terra

Que exulta no teu corpo,

Eu vejo é o sol que brilha nesta noite de chuva em teu olhar...

Eu não ouço a música da chuva na noite

Nem o vento a bater nas arestas das casas ouço é a alegria das folhagens inquietas batendo as asas...

Que importa se chove, e se há vento, e se há frio,

se aqui no nosso leito há carinho e calor?

Minha alma não quer sentir a chuva,

Nem olhar com tristeza os que passam na rua.

Ao relento,

Porque minha alma se comove...

Neste momento

Minha alma quer ficar é juntinho da tua...

e... que importa se chove?

domingo, 30 de setembro de 2007

"Tão simples este amor"...

Tão simples este amor nasceu... Nós nem notamos
que era amor e afeição que aos poucos nos
[prendia...
O amor, - é aquela flor que engrinalda dois ramos
aos esponsais de luz do sol de cada dia!

Dois ramos, - eu e tu, - e as horas desfolhamos
numa doce, irrequieta e impensada alegria,
- e assim vamos vivendo, e a viver, acenamos
sonhos verdes aos céus azuis da fantasia!

Tão simples este amor nasceu... Tal como nasce
um beijo em tua boca, um riso em tua face,
uma estrela no céu... ou uma flor de um botão.. .

Nem era necessário mesmo eu te falar,
se já o tens transformado em luz no teu olhar,
e eu, já o sinto a cantar, dentro do coração!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Pressentimento

O fim do nosso amor pressenti - na agonia
das tuas próprias cartas, rápidas, pequenas…
- se nem tantas, com carinho imenso te escrevia
tão poucas me chegavam por reposta apenas…


nas cartas que a sofrer, te escrevia, às dezenas
adiava a realidade sempre, dia a dia,
procurando iludir em vão as minhas penas
muito embora eu soubesse o quanto me iludia!

hoje… já não foi mais surpresa para mim,
dizes (como quem tem piedade), que é melhor
não continuarmos mais… e tens razão: é o fim…


há muito eu o esperava e o pressentia no ar…
chegou…que hei de fazer?… foi bom…seria pior
se ele não viesse nunca…e eu ficasse a esperar…

segunda-feira, 14 de maio de 2007

BOM DIA

Ó minha mãe! em meus cantos,
num grato e eterno estribrilho,
bendigo a Deus que entre tantos,
me escolheu para teu filho