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domingo, 28 de setembro de 2008

Alma e Olhos Benditos

Ah olhos benditos que vêem em mim

O que eu não vejo

Olhos benditos que vêem em mim

O que eu não mereço!



Ah olhos benditos que me vêem

Anjo de luz em seus sonhos

Como regalos do universo!



Ah lábios benditos onde brotam palavras

Que me emocionam

E me fazem chorar de contentamento!



Se tu encontraste em mim

A realização de teus sonhos

Em ti encontrei vida!



Ah alma abençoada que me glorifica

Sem saber se é mesmo em mim

Que mora e impera a tal felicidade!



Ah como eu gostaria de lhe fazer compreender

Que tudo o que vês em mim é de ti que irradia

Se meu olhar te fascina o teu me extasia!



Se meu falar domina

Não esqueças que foste tu que me ensinaste

A declamar com galhardia!



Se tu santificas meu sorriso

E meu andar leve e macio te maravilha

Saibas que para o deleite de teus olhos

O Pai assim me forjou para ti

Ao soprar-me vida!



Tu és a luz que me ilumina

Tu és o aroma suave que me perfuma

Tu és a vida que alegra meus dias

Se tu dizes que sou a encarnação desta canção

Tu és o maestro que a afina com maestria...!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Vestida De Amor

Corpo alquebrado pelas lutas árduas da vida
Nas quais me fiz guerreira

Vencedora de quase todas as batalhas

Cadê minha coragem minha audácia

Cadê minhas medalhas meus estandartes

Cadê meu comandante?


Fiz-me amor folhas ao vento levadas sem rumo

Barco à deriva velas esgarçadas

Calmaria vendavais

Navegante em busca de um poto seguro!



Ah solidão que me maltrata

Arranca do meu peito o coração

Noites frias escuras insones

Olhar ausente voltado ao passado!


Deixei para trás o que eu mais amava

Não vi nem senti o sal nem o sol

Aprofundarem os sulcos do meu rosto!



Onde minha vida minha felicidade

Se hoje nada mais encontro
Nem mesmo o pouco de mim

Que deixei ficar em cada porto!


Apenas migalhas desfeitas restaram ao relento

Umedecidas pelo orvalho frio das madrugadas

Onde outrora à luz da lua e o brilho das estrelas

Tu vestias-me de amor!

Visões

Perco-me em distantes vales verdejantes

Ou sinto-me nas profundezas do inferno

Anjos irreverentes a mim se enlaçam

Conduzindo-me a vôos alegres e rasantes!



Em seguida viajo em vertiginosa ascensão ao paraíso

De repente meu rosto transforma-se

Em sombria máscara de cera contorcida

E sou lançada à escuridão de um grande abismo!



Quem me atirou à profundeza tão temida

Abro os olhos vejo-me a sós me arrepio

Meu corpo gela grito me apavoro sinto muito medo!



Onde meus anjos de folguedos

Que se diziam meus companheiros

Sinto frio sinto terror

Não percebo a presença de seres vivos

Ao meu redor!



Sou a única vivente num inferno desconhecido

Mil vezes preferível o fogo tão temido

A queimar-me as entranhas

Que o nada da escuridão

E do vácuo total do mundo!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Saudade I

Ah que saudade de ti ao sentí-lo ainda

Como o sol dos meus dias a esquentar meu corpo

Teus versos continuam como gotas de orvalho perfumado

Declamando ao meu ouvido!



Lembro-me de ti ao ouvir o tinir de sinos dourados

O som de tua voz recorda-me um coral de anjos

E calados meus lábios falam o quanto ainda te amo!



Teu amor bálsamo benfazejo

Minha boca bebia em beijos

Teus murmúrios de paixão eram acalantos mágicos

Que tocavam meu coração meu corpo e meu eu inteiro!



Oh ventos cruéis,que passaram devastando

O que encontravam à sua frente

Por que levaram meu amor

Sem ele dar-me o derradeiro beijo?



Amor tenta libertar-te dos ventos violentos

Sei que ainda derramas teu pranto sobre a saudade

Que te faz lembrar de mim!



Ainda ouço teus doces ais e tuas palavras

Carinhosas me dizendo

Ó minha amada minha eterna namorada

Acalma teus pensamentos porque de ti não me aparto!



Hoje meus soluços abafados e doídos tocam minha alma

E a faz chorar comigo ao acordar dos meus sonhos

Sentindo o gosto amargo da saudade

Em minha boca e a ausência das tuas mãos

Acariciando meu corpo!



Ah que saudade de tua presença

Sentinela dos meus sonhos

Dos quais foste sempre uma constante

A peça mágica mais importante...!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Solidão

Ah meu amor...

Qual o mistério da solidão que me torna um nada

Destrói minha alegria e os meus sonhos mata

Solidão que me deprime nas frias madrugadas

Onde teu corpo parece evolar-se como fumaça!



Ah solidão que de mim não se afasta

Corrói-me a alma e ri da minha desgraça

Ao ver o rolar das minhas lágrimas!



Ah solidão sem sentimentos

Sem olhos para ver meu sofrimento

Sem ouvidos para ouvir meus desacertos

E lamentos soprados aos ventos!



Solidão de mim te apartes

Nem tentes te aproximar desta mente cansada

Transformada em mágoas

Alma ferida não sei se em busca de sonhos

Ou do nada!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Não Me Sinto Culpada

Surpresa e feliz com tuas declarações

De amor por mim

Vesti minhas respostas de dourado

Sentindo refulgir em meu cerne

A luz da verdade em tuas palavras...



Tentei transformar sentimentos emoções

E toda minha ternura

Na mais bela sinfonia

Mas incapaz escrevi simples poesia!



Distante do teu próprio contexto

Jamais me senti pronta a realizar projetos

E incluir-me em teu universo

Ah quanto esperei e quanto implorei às divindades

Que nos tornassem eternamente unos!



Infelizmente tua abstração em não sentir

Nem ouvir minhas súplicas de amor

No clamor de cada verso

Que por certo julgavas sem sentido!



Porém para mim nada está perdido

Não encontro labirintos perto nem distantes

Que de ti me apartem...



Não há que haver vãs tentativas

Para que as sementes do amor

Germinem entre almas predestinadas

A se amarem e se unirem

Mesmo que uma das partes não o sinta!



Há sim que transcenderem fronteiras intransponíveis

E partirem para a realidade dos sonhos

Antes que eles feneçam como a delicadeza das flores

Sem esperança da existência de uma pequena fonte à sua frente

Que lhe sacie a sede na falta do orvalho das noites!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Não Ouvi O Som Do Teu Silêncio

Sentada nos rochedos
Esperei por longo tempo

Ouvir o som do teu silêncio!



Via à minha frente

Brumas contínuas durante o dia
E nas madrugadas frias as mesmas brumas

Que nunca se ausentavam engoliam o orvalho
Jamais senti seu frescor ou seu perfume!


Brumas perdidas de ciúme

Mataram as flores mais formosas

Ao saber que eu as amava deram fim

Ao meu jardim!



A vela sobre minha mesa
Nunca se tornou toco ou sobra
Jamais consegui acendê-la
O vento apagava a chama
Dos fósforos que eu riscava!

Do ponto mais alto dos rochedos

Tentei vislumbrar a cor do horizonte

Porém meus olhos encobertos pelas brumas

Nunca avistaram sua cor!


Esperei por sua volta nas longas horas do dia

E no frio da noite que congelava meu corpo

Atravessando as madrugadas!



Nunca me ausentei nem por um segundo

Do alto dos rochedos

Mais de mil luas se passaram
E em meu porto nunca tu aportaste!


Nem mesmo a lua no meu céu apareceu

As brumas a ocultaram

Como eu poderia apaixonar-me pelo som da flauta doce

Se o vento o levou as distantes galáxias?



Minha alma é um mar de saudade
Não dos nautas nem de velas enfunadas
Minha saudade é muito maior que teu silêncio!

Como poderia ter amado o delírio dos ventos

Se eles eram uma constante

E roubavam sempre o som das flautas doces?


Bronzear-me nas cores da noite

Como...

Se meu céu é isento de cores
Regar os jardins com minhas lágrimas
Como...

Se as brumas mataram todas as flores
Como saber das voltas de um cata-vento
Como...

Se os ventos os sopraram para longe!

Meu amor eu te amo muito mais do que a mim mesma
Porque nestas paragens sou apenas tristeza

Solidão maior que a minha ninguém suportaria!

Nem mesmo depois de minha morte
Irei embora destas plagas
Jamais ocultarei minha paixão na voz do vento

Nem no som do eco!


Mas me negarei contá-la às brumas
Que me invejam por me saberem amada
Pelo mais dócil dos poetas!



Porém eu nunca ouvi nem mesmo em sonhos

O som do teu silêncio

Do qual tanto me falavas!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

ALÉM DE NOSSOS BEIJOS

Não me bastam mais teus beijos!
Eles só provocam meus desejos!
Não revelo a ânsia incontida em meu peito...
mas por recato ainda quero só teus beijos!
Não falo...
mas te quero muito além de nossos beijos!
Até quando... se não há mais jeito?
Nos encontramos em sonhos e com volúpia nos
amamos!
Por que adiar nossos anseios...
se podemos pôr fim a todos os desejos?
Nos amarmos entre mil beijos...
e irmos muito... muito ...
muito além dos pensamentos!!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Esquecer Eu Quisera

Esquecer eu quisera

Ah quem me dera
Minha mente alucinada vibra gira

Entorta minha cabeça

Mas sempre diz sim às lembranças

Que não esqueço!


Esquecer eu quisera
Da responsabilidade da vida

Que me engole aos pedaços
Sem mastigar minha carne

Sem sentir meu gosto!


Esquecer eu quisera
Das décadas todas da minha vida
Onde presenciei uma guerra traiçoeira
Através de filmes jornais

E revistas sem censura!



Bombas explodindo sem aviso destroçando

O que encontravam à sua frente

Bombas despencando

Sobre cabeças adormecidas
Antes mesmo do alvorecer de cada dia!



Esquecer eu quisera
E não mais lembrar do medo que eu sentia
Sem saber se era verdade ou mentira

O que eu via e ouvia!



O pavor tomava conta do meu corpo de criança

Encolhido em minha cama onde meus olhos choravam
Não havia entreatos
Os soldados jamais voltavam ao levantar do pano

Para o início do segundo ato!



Ficavam ali tombados expostos às moscas

Vermes e abutres esfaimados
Onde os deuses ensandecidos e toda sua maldade?


Nunca soube que em sua sanha

Houvessem deuses compadecidos

Ao assistir o sofrimento do povo

Compaixão não existia por qualquer alma

Por alma nenhuma nem por nada!


Esquecer eu quisera

E não lembrar mais dos fogos da minha infância

Fogos daninhos que me assustavam

Faziam-me tremer de pavor

Porque a queima de fogos apresentados

Nunca passaram de bombas canhões

Rajadas de metralhadoras aviões explodindo
Pára-quedas no ar incendiando!



Esquecer eu quisera

E poder apagar da lembrança a visão de soldados

Desacompanhados de suas damas
Dançando uma valsa desconexa nos campos de batalha

Rodopiando até à morte!


Esquecer eu quisera...
De donzelas graciosas que existiram sim

Mesmo que por pouco tempo
Vítimas inocentes violentadas e mortas

Por seres dementes e diabólicos!


Esquecer eu quisera

Dos rapazes que nasceram sim
Mas os governos em seus extremos

Os tornaram adultos de pouca idade!


Seguiam aos campos de batalha

Com passagens pagas

Partiam com pouca bagagem

Sem o bilhete de volta!

Esquecer eu quisera

Que eu não andava por ruas e ruas

Eu não andava por rua nenhuma
Pelo pavor que os bombardeios me causavam

E o barulho imaginário das bombas

Explodindo em meu quintal avermelhado

Refletindo a cor das chamas!



Eu não escrevia frases nem frases

Eu sabia escrever mas não escrevia nada

Apenas orava e orava
Para que Deus fizesse calar o ruído das armas

Que martelavam meu cérebro e ouvidos

Pondo-me em estado de alerta

Ao imaginar bandeiras esgarçadas

Hastes cravadas ao solo pelas mãos de soldados

Ao se apossarem de novas terras ensangüentadas!



Naquela época o relógio do tempo era calmo

Não gritava não dava ordens nada demarcava

Para ele pouco importava o fim ou o começo de nada!


Ah se eu entendesse de profecias quando criança

E soubesse que o instante é fixo não duradouro

Talvez eu não tivesse sofrido tanto!


Ah quisera ainda lembrar das santas que cultivavam rosas
E de suas imagens cristalizadas

Ocultas em algum canto de minha memória!


Onde o mundo o povo sem vida

Enterrando seus mortos

Como seria bom serem eternos os pensamentos

Que nos fizessem reviver somente momentos mágicos!



Esquecer eu quisera...

Mas como

Se ainda me lembro o quanto doeu e dói

O terror do holocausto

Da guerra maldita que me volta à memória

Ou em pesadelos reaviva meus medos

Fazendo rolar novamente

Cada lágrima chorada dos meus olhos!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Escreva-me Um Poema

Se nunca, um amor, um amanteOu amigo, te escreveu simples versosNão te entristeças...
Talvez, os poetas que conheçasPertençam a uma sociedade morta!
Há que se sentar às sombras dos arvoredos,
Esperar o dia se apagar, à noite cair devagar,
E a primeira estrela surgir no firmamento!

Há que se perder o olhar na constelação
Que mais amar, abrir os braços...
E receber a estrela derradeira
Que em silêncio vem chegando...
Para te coroar de brilho e te aquietar!

Há que se esperar os poetas do Olimpo...
Até o final de sua hibernação!Despertos, ajoelhar-se-ão...
Ante tua visão etérea...
E loucos de paixão ante a mulher
Real e bela, cantarão em coro,
O poema que há tanto esperas...!

Talvez os versos que não recebeste...
Poemas que nunca chegaram às tuas mãos...
Não foi por falta de amor dos poetas que te amaram...
Mas sim, porque tua luz sempre os ofuscou!