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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

COMO AUMENTAR SUA AUTO-ESTIMA

Só existe auto-estima quando uma pessoa vive de acordo
com suas idéias, sem ofender o código de valores que ela
construiu ao longo da vida.
Uma pessoa para quem a honestidade é fundamental poderá
ficar rica se aceitar suborno, mas sua auto-estima cairá, inevitavelmente.
Não é possível alguém gostar de si mesmo, ter um bom juízo
de si, se estiver agindo em desacordo com seus princípios.
Os valores de cada pessoa, assim como os de cada
sociedade, variam muito e dependem fundamentalmente
do ambiente em que ela cresceu.
Nos primeiros anos de vida, incorporamos essas normas
com o objetivo de agradar aos adultos que nos
são importantes.
Aprendemos seus valores e os adotamos porque este
é o caminho para sermos amados por eles.
Os adultos usam essa necessidade das crianças de
serem protegidas e acariciadas como instrumento para
educá-las, ou seja, transmitir à nova geração as normas
daquela comunidade.
Mas isso é apenas o princípio do processo.

A partir de um certo ponto do nosso desenvolvimento,

passamos a contestar os valores que nos foram impostos

pela educação.

Isto pode ser feito de um modo bastante estabanado

e grosseiro, negando, apenas por negar, tudo o que nos

ensinaram (e são muitos os adolescentes que agem assim).

Entretanto, também podemos reavaliar nossos princípios

de um modo mais sofisticado, comparando-os com outros

pontos de vista ou submetendo-os a uma experimentação

na vida prática.

Se fomos educados, por exemplo, a não transigir,

tornando-nos pessoas rígidas e prepotentes, isso pode

nos trazer muitos inimigos e afastar as pessoas

de quem gostamos.

A prática da vida nesse caso poderá nos ensinar a ter

mais "jogo de cintura", ou seja, a afrouxar um pouco mais

os nossos critérios quanto à liberdade e aos direitos

de cada pessoa.

Sempre que mudarmos nossos valores devemos conseguir

mudar também nossa conduta.

O objetivo disso é fazer com que possamos viver de

acordo com nossas idéias, condição indispensável para

uma auto-estima positiva.

Mas outra condição se impõe para uma boa auto-estima:

levar uma vida produtiva, em constante evolução.

Se uma pessoa gosta de cozinhar, ela tenderá a se dedicar

a essa atividade.

Será capaz de avaliar seus avanços por meio da reação

das pessoas que provam sua comida e não adianta negarmos:

somos dependentes das reações dos que nos cercam e

nos são queridos.

Os elogios reforçarão suas convicções de que está

indo pelo caminho certo, enquanto as críticas indicarão

a necessidade de correção de rota.

Com o passar do tempo e o crescer da experiência, ela

saberá avaliar a qualidade de sua comida por si mesma,

tornando-se menos dependente do julgamento dos outros.

Sua auto-avaliação vai se tornando mais importante que

a dos outros.

Sua auto-estima vai se cristalizando em um patamar alto,

sólido e independente do ambiente.

Mas é importante ressaltar que esta imagem positiva de

si mesmo não pode ser construída do nada.

Não adianta a pessoa se olhar todos os dias

no espelho e dizer:

"Eu sou uma pessoa legal, mereço as coisas boas da

vida, eu me amo".

Agir assim é acreditar que se pode enganar a si mesmo com

discursos bonitos e falsos.

Precisamos agir sempre de acordo com as nossas

convicções, levar uma vida produtiva e nos aprimorar

naquilo que fazemos.

Não importa qual seja a atividade, precisamos nos relacionar

com o nosso meio e receber dele sinais positivos de que

nossa ação é boa e que está em permanente evolução.

Se uma pessoa não faz nada, não se dedica a nenhum

tipo de atividade, não terá a menor chance de ter uma

boa auto-estima.

Ela não se testa para saber qual é o seu valor, e a dúvida

puxa para baixo a auto-avaliação.

E de nada adianta colocar uma máscara e sair por aí com

ares de quem "se ama e muito".

Isso não engana ninguém!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Confiar um no outro, essencial para um amor maduro

Amor implica depender, estar na mão da outra pessoa.

Por isso, amar alguém que não nos transmite confiança é ser irresponsável para consigo mesmo.

Poucos são os casais que vivem em concórdia, num relacionamento que crie condições para que ambos cresçam emocional e intelectualmente.

Mas, porque existem alguns casais que vivem em harmonia, devemos nos empenhar para também fazermos parte dessa minoria privilegiada.

Hoje quero me dedicar a um aspecto essencial das boas relações amorosas que é o desenvolvimento da confiança recíproca.

Amar implica depender, estar na mão de outra pessoa.

Ela tem, mais do que ninguém, o poder de nos fazer sofrer.

Basta querer nos magoar que conseguirá isso, com uma simples palavra ou gesto.

Se quiser nos fazer sentir insegurança, não terá problema algum.

Fica mais do que evidente que, quando uma pessoa ama alguém que não se empenha em despertar a sensação de confiança e de lealdade, ela irá padecer muito.

Irá se sentir permanentemente ameaçada, terá ciúme de tudo e de todos.

Amar alguém que não nos passa confiança é, pois, uma irresponsabilidade para consigo mesmo.

É uma ousadia, uma ingenuidade e uma grande demonstração de imaturidade emocional, ou sinal de que se tem satisfação com o sofrimento.

Em geral as pessoas se colocam nessa condição em virtude de terem se encantado com alguém que, de fato, não dá sinais de confiabilidade.

Aceitam essa atitude egoísta do amado imaginando que seja uma fase, um período doloroso que irá passar com o tempo.

Fazem tudo para demonstrar o seu amor, para cativar o outro e esperam que isso faça com que, finalmente, ele se renda, e também se entregue de corpo e alma à relação afetiva.

Acaba se compondo uma espécie de desafio, em que aquele que não é confiável percebe que recebe mais atenções e carinho exatamente por agir dessa forma.

Com isso se perpetua a situação e me parece bobagem achar que o futuro será diferente do presente.

Afinal de contas, aquele que não se entrega ao amor, acaba sendo altamente recompensado por isso e não terá nenhuma tendência para alterar sua atitude.

Quando a mágica do encantamento amoroso não vem acompanhada da mágica da confiança, a pessoa está posta numa situação muito difícil, na qual o sofrimento e insegurança serão as emoções mais constantes.

E essa mágica da confiança de onde vem?

De vários fatores, sendo que o primeiro deles depende do comportamento da pessoa amada.

Não é possível confiarmos numa pessoa que mente, a não ser que queiramos nos iludir e tentemos achar desculpas para não perder o encantamento por ela.

Não é possível confiarmos em pessoas cujo comportamento não está de acordo com suas palavras e suas afirmações.

Aliás, quando o discurso não combina com as atitudes, penso que devemos tomar essas últimas como expressão da verdadeira natureza da pessoa.

Não é possível confiarmos em pessoas que mudam de opinião com a mesma velocidade com que mudamos de roupa.

É evidente que todos nós, ao longo dos anos, atualizamos nossos pontos de vista.

Porém, acreditar em certos conceitos num dia, na frente de certas pessoas e defender conceitos opostos no outro, diante de outras pessoas, significa que não se tem opinião firme sobre nada e que se quer apenas estar de bem com todo mundo.

Amar uma pessoa assim é, do ponto de vista da autopreservação, uma temeridade.

A capacidade de confiar depende também de como funciona o mundo interior daquele que ama e não apenas da forma de ser e de agir do amado.

Não são raras as pessoas que não conseguem desenvolver a sensação de confiança em virtude de uma auto-estima muito baixa.

Desconfiam da capacidade que têm de despertar e conservar o amor da outra pessoa; se sentem inseguras, acham que a qualquer momento podem ser trocadas por criaturas mais atraentes e ricas de encantos.

E, o que é mais grave, se sentem assim mesmo quando recebem sinais constantes, coerentes e persistentes de lealdade por parte da pessoa amada.

Nesses casos, não há o que essa criatura possa fazer para atenuar o desconforto daquelas, cuja única saída é um sério mergulho interior em busca de resgatar a auto-estima e a autoconfiança perdidas em algum lugar do passado.

Finalmente, para uma pessoa desenvolver a capacidade de confiar é necessário que ela seja uma criatura confiável.

Costumamos avaliar as outras pessoas tomando por base nossa própria maneira de ser.

Se nos sabemos mentirosos, capazes de deslealdade e de desrespeito aos outros, como ter certeza de que as outras pessoas não farão o mesmo conosco?

Só aquele que tem firmeza interior, que tem confiança em si mesmo no sentido de respeitar as regras de conduta nas quais acredita, pode imaginar que existam pessoas em condições de agir da mesma forma.

Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sawabona

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais
uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico
parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei.
Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso,
o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo
mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.
Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.
É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

PS: Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer: "Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim".
Em resposta, as pessoas dizem SHINKOBA, que significa: "Então, eu existo para você".