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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Perdoe-me, Papai Noel!

Papai Noel, me digas se tu tens,
A fantasia que a tristeza esconde,
No saco com um punhado de reféns,
Encher de espera o mundo, vir da onde?


Papai Noel, tu podes me perdoar,
De o querer, querer mais, só por um dia.
C'as asas soberanas sobre o mar,
A ave de outra espécie, me alforria.


Já cego, ao desamparo e no perigo,
O meu sonho caminha ao desabrigo,
Sem dons... Ah. tua fábrica ditosa!


E o obrigas, sendo o pobre e indigente,
Refugiado nos campos do inconsciente,
Confundir-se a uma pétala de rosa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Madrugada de Orações

Madrugadas passageiras, orem!
Aos versos torturados e insones
São órfãos, viúvos e sem nomes
Às mãos poetas que o socorrem.



Aceito em cuidá-los como meus!
Pássaros sequiosos de alimentos
Lágrimas de choros sonolentos
Torres que se erguem para Deus!



Sopro-lhes no ventre e recito
Versos d'um universo mais bonito
Vagidos do berçário das estrelas



Que doam-se à luz ainda criança
E morrem no vaso da esperança
De cegos que não podem percebê-las.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Tenmpo Ambarino

Ah! Prata, que aos teus cabelos enfeitas

Traz-te um brilho - sol a pino - nacarado

Escassos... invernos d'água do cerrado

Inspirando este solo de colheitas.







Perfumas... É o meu Tempo Ambarino

Tornando-o mel de seiva... almiscarado.

E à noite... EU, camuflado e clandestino

Me beijas, como beija um condenado.







São fantasias... Reconheco! Que importa!

Se a Lua em eclipses exorta

Sol de Amor - recusando o anoitecer.







Se me negas teus carinhos... deixa assim!

Um dia, se sozinho... vinde a mim!

Será Tarde! ... Como um dia a morrer!

sábado, 3 de novembro de 2007

Velha Árvore

Velha árvore, rapariga religiosa
Estranha esta tua sombra que vadia
Sedenta de um qualquer em qualquer dia
Que deite no teu gozo - A milagrosa!



Pode reclamar-te a juventude?
Por quê? Se na secularidade
Da vida em sacrifício à saúde
A morte só conhece a metade!



Frondosa... ainda exibes a grinalda
Copada, para a noite resolvê-la
Com um noivo num anel de esmeralda.



E a noite que transforma tudo, em igual
Aniquila tua sombra ao recolhê-la
Às letras em uma folha de jornal.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

DUPLA

Medonho esse ser que me habita
Preso a mim procria e se aliança
Serve-se do meu prato e dormita
Com as mãos no cálice que balança.


Idólatra de um A- Deus em crise
De espada à mão em luta nossa
Fecha-me a sós, á que me acossa
E foge pelo fecho da valise.


Viver contigo é de tal maneira
Suportar-te como o peso da videira
Suporta às uvas a multiplicação.


Não!!! Não meu eu que queres sejas tu
No ramo da videira embora nu
Um súbito bater de coração.

domingo, 14 de outubro de 2007

BRINCADEIRA NO PAPEL

Ah! ..Que brincadeira gostosa
deixar que a imaginação
faça de um simples cordão
no jogo do passa-passa,
a brincadeira do anel,
que não quer nenhuma mão
e sobe como um balão
a fazer cócegas no céu!

Ah! ... Delícia é inventar
saltando de estrela em estrela,
no jogo da amarelinha,
das cinco - marias vizinhas,
que estão sempre a protestar,
querendo um novo arco-íris
trançado com outras cores
para poderem pular.

Que mundo tão engraçado,
tem um palhaço abusado
roubando o sol encarnado
que molhado não quer ver.
Até a estrela cadente
transformo no sol poente,
posso tudo é só querer!

Brincando nesse papel
meu olhar grita de espanto:
letrinhas de mil jeitinhos
dançam alegres cantando,
Fico até desconfiada
- Estarão me convidando?

Esfrego meus dois olhinhos
estou cansada de brincar,
meu bercinho me abraça
com soninho vou deitar.
Vem mamãe bem de mansinho
já é hora de acordar...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Esperando os dias

Vais e se vão numa infinita seqüência
A ignorar sentidos como a vala funda
A cavar a terra no beijo que a circunda
Com luzes e sombras da impermanência.


Espero-te ... sem esperança ou nome
Com a boca pintada em tom néon
A declamar versos borrados de batom
- Sou tua! Oh! Olhar que me consome!


Quem me dera bailar no teu sorriso
Às margens refletidas do narciso
Ser teu querer sem me deixar resistir.


Fechadas as cortinas em degrades
Adiam passos que passam e não vês
Gratidão ... é o amor por existir.

domingo, 23 de setembro de 2007

MONÓLOGO

Alma te encontro a morrer tão só
Vendo as folhas soltas dos ciprestes
Desjejum - se ofertam como vestes,
Da terra que as devora sem ter dó.



Coragem! A boca suada não morre
A terra em que pisas não é tua
Nem o que te alimenta e socorre
Nos mistérios com que a vida pactua.



Te implores ao benevolente Deus
Fuja!... dos joelhos e espanto dos ateus
Recolhe-te como a dor deixa a ferida.



E esqueça que minha alma não és
Vai-te! Solta te cortarei os pés.
Voes! ... que te devolvo à vida.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O apagar de uma estrela

Amor não te atordoes... eu não fugi
Há um recado que deixei posto na lua
Vaga-lumes fulgem à noite que acendi
Luzem em letras a piscar caindo à rua.


Não te atordoes amor, se eu não voltar
Quis o destino conduzir-me a outros lugares
E as esmeraldas de sorrir nossos olhares
Perderam-se sem ter força a nos salvar.



Sorrio em lágrimas... é o ocaso de um momento.
Nas asas que albergam o sentimento
Não peças minha presença ao querer tê-la.



Tal a prata das espadas em duelos
Sou o poema expulso dos castelos
Apagado e extinto de uma estrela.

sábado, 15 de setembro de 2007

Escrevendo um coração

Macerado coração já sem saliva
Curvado a uma pena envolvente
Fibrila em desespero e doente
No palco da minha boca apreensiva.


Diga dos mistérios que habitam
E intuem a semente à primavera
Nos meus tolos lábios que hesitam
Florescem (de)lírios a tua espera.


Coração, se recusas o anonimato
Que oculta a trama e o boato
De negares dos sentidos, o verdadeiro.


Seja a substância da sedenta
Pena que da tinta se alimenta
E te torne dela um prisioneiro.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

SOLIDÃO

Enquanto me deixei sonhar sozinha
Com a noite a evocar grilos falantes
O relógio bateu asas na andorinha
Anunciando serem duas meias-noites.



Perdi-me! Pensei ter a noção exata
de um amor como se amante fosse
Sofri o tempo a pingar em conspirata
Como dor de morte a interpor-se.



Do cheiro perfumado dos trigais
Na fúria a adoçar os vendavais
Fomos os versos nas liras da paixão.



E ao me deixares só na imorredoura
Luz solar que aos meus cabelos doura
Nascia a sombra a carregar a solidão.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Bradam sentidos

Bradam longínquos os meus sentidos
Limiares das forças em desencanto
Sou eu que me abandono desse canto
Que ouço como um som desconhecido.



Anseios da loucura a reclamar-me
Num frio insaciável e indefesa
Bebo como água em minha represa
Com mãos de sermão a supliciar-me.



Perdi a floração - minha alvorada
Abrir o céu como rosa azulada
Beijada na paixão d'um sol ardente


No silêncio, que me baste à tua face
Morro como um dia que não nasce
No leito de uma noite inconsequente.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Madrugada de Orações

Madrugadas passageiras, orem!
Aos versos torturados e insones
São órfãos, viúvos e sem nomes
Às mãos poetas que o socorrem.



Aceito em cuidá-los como meus!
Pássaros sequiosos de alimentos
Lágrimas de choros sonolentos
Torres que se erguem para Deus!



Sopro-lhes no ventre e recito
Versos d'um universo mais bonito
Vagidos do berçário das estrelas



Que doam-se à luz ainda criança
E morrem no vaso da esperança
De cegos que não podem percebê-las.

sábado, 21 de julho de 2007

Brilho escuro

Ceú ! Exclamo eu pobre penitente
Às chamas puras, à Ama Divina
No altar trágico, ser inconsciente
Mundos partidos à própria sina.



Se há erros, são tantos e todos são
Nele uma incógnita do futuro
Desesperado fogo em brilho escuro
Acorda o medo do bicho-papão.



Talvez a chuva tenha se perdido
No líquido que nos faz um ser ungido
E levasse a dor à pia batismal...



Nas contas doloridas de um terço
Choradas ao pé do nosso berço
O paraíso à terra sacrificial.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Brilho Escuro

Ceú ! Exclamo eu pobre penitente
Às chamas puras, à Ama Divina
No altar trágico,ser inconsciente
Dois mundos partidos à própria sina.



Se há erros, são tantos e todos são
Nele uma incógnita de futuro.
Desesperado fogo em céu escuro
Acorda o medo do bicho-papão.



Talvez a chuva tenha se perdido
No líquido que nos faz ser ungido
E levasse a dor à pia batismal...



Nas contas doloridas de um terço
Choradas ao pé do nosso berço
O paraíso à terra sacrificial.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Menina de Rua

Creiam-me, caros senhores
Nada ou tudo que vos fale
Se sou aquela... ou cale
Em mim um grito de horrores.


Voltei à menina de rua
Que à cama úmida e fria
Torturava e lhe tingia
A verdade seminua

Dêem-lhe do bolso um trocado
Do céu o pedaço negado
Da vida que vestiu Andaluzia.


E os risos que se faz à mendicância
Sequem nos soluços de criança
Que em mim se transformou em poesia.

sábado, 21 de abril de 2007

Quando voltas?

Sinto pena de mim, nessa saudade
De silêncios que tua falta multiplica
Essa dor com sabor de eternidade!
Essa folha que no chão se faz caida.

Tempo, não se perca em leviandades!
Siga ao largo do andarilho ermitão
Cale os ventos das afoitas tempestades
E as poeiras que espalham o furacão.

Quando voltas?
Digo a olhar o sol poente
Que no beijo amansa a sede de horizontes
E o clamor de minha espera impertinente!
Volta!
Seguirei-te de mim mesma esquecida
Como prece junto ao templo penitente
E a pétala desfolhada suicida.

terça-feira, 13 de março de 2007

A te oferecer

Não digas se acreditas, se calas.
Sobre teus pés que falam de partida
Moram sonhos d'alma d'outra vida.
A ti tomo! Somos! Igualas!

Queres do meu vinho? Me apeteço!
Comes minha carne? Salga a fé!
Se a vida é menina, é só um começo!
Se há morte envelhecida, fidalga é!

Na rama quano a uva amadurece,
cobre o chão, a bacia, o balde e a tina.
- Lima a terra que a noite escurece
e o mar que o navio que ao cais confia.