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domingo, 11 de abril de 2010

CONSTRIÇÃO

No silêncio da oração,
venho agradecer-Te, Jesus,
por Teu nascimento,
vida e morte,
em martírio,
na Cruz.

Obrigado, Jesus,
por Te fazeres fanal e conforto
aos caminhantes
das escarpadas sendas da vida,
órfãos de um ombro
em que repousar medos
e chorar desilusões,
de ouvir palavra amiga,
de soluçar tristezas,
e espantar solidões.

Obrigado, pelo cotidiano tormento
de tenebrosas semanas santas,
em que vagueiam almas constritas,
por Calvários e Gólgotas,
reféns de violência e desvario,
em infindáveis noites de frio
e em dias desajeitados e vazios,
sem ter em que se abrigar
e sem poder a dor
que sentem no peito mitigar.

Obrigado por Teus exemplos
de amor e perseverança,
de humildade e perdão,
de devoção a um Ideal,
porque eles nos fortalecem
ante os apelos do mal.

Obrigado, Jesus,
por Teu sacrifício na Cruz,
eis que dele se fez acender
da imortalidade a luz,
aclarando vidas,
hoje feitas em dor,
até que amanhã se renovem
iluminadas de Amor...

Obrigado pela inolvidável lição
de Tua ressurreição...

Obrigado, Jesus!

domingo, 19 de outubro de 2008

QUIMERAS

Ilusões de amor são quimeras,
que apenas fazem sonhar,
em noites e amanheceres de esperas,
ouvindo o coração soluçar,
em tristes gemidos nascidos
do tanto e tanto amar...

Paixões são lembranças de afetos,
de tempos de amor e emoção,
garimpos em rio de saudade,
mãos em concha mergulhadas,
voltando vazias
das águas da solidão...

Emoções, vagalhões de tristeza,
em tsunamis varrendo
do peito a vontade,
de um dia um amor reencontrar...

Sem precisar seu destino,
de onde vêm, para onde vão,
pego carona nas lágrimas,
do mar do meu coração...

Meu viver vai no embalo,
das águas, em seu balançar,
em noites e amanheceres de esperas,
ouvindo de dentro o soluçar,
de tristes gemidos nascidos
de amor, recordações, ilusões,
simples quimeras...

sábado, 30 de agosto de 2008

SONHOS E ILUSÕES

Era como um cometa,
lindo e intemporal,
enchendo meu céu
de esperança,
acima do bem e do mal.

Era como um cair de noite,
com a lua vindo brincar
nas ondas verdes do mar.

Era como a brisa fresca,
o sopro desse arrepio
que percorre meu corpo,
em suavidade e constância,
trazendo de volta
a lembrança,
de quase eu mesmo.

Era a ilusão
de sonhos e de amor,
entorpecendo a razão
e devagarinho,
arrastando para dentro
do meu coração,
a dor.

Era a experiência,
necessária e inexorável,
tatuando marcas
de um bem-querer
sem ressonância
e sem constância,
como restos
de um impossível acalanto.

Era a noite imemorial
das almas
que vagueiam
na imensidão do tempo,
sozinhas e inconsoláveis,
ansiando lenir feridas,
eliminar cicatrizes
e maquiar saudades.

Era o compromisso
com a dor,
com a mágoa
e a tristeza,
a inaceitável decepção,
o jejum de afeto,
a indigência de devoção,
a solidão.

Era o dia que se faz noite,
a luz que aos poucos se apaga,
a ventania que arranca flores,
deixando jardins sem cores.

Era o vendaval,
não mais a fresca brisa,
nem o arrepio,
em suave constância;
era o temporal
que o pesadelo eterniza.

Era o ciclone,
indesejável e avassalador,
varrendo para bem longe
meus sonhos e ilusões,
esvasiando meu coração
de amor
e nele fazendo ficar
tão somente
a dor...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

TE AMO!

Como a claridade
que escancara
cada novo dia,
te amo...

Como a música
entoada ao embalo gostoso
das horas,
te amo...

Como a calma beleza
que espreita em teus olhos,
como o sol,
ou a chuva,
ou a noite,
ou cada novo amanhecer,
meu coração bate acelerado
e feliz
porque

Te amo...

sábado, 16 de agosto de 2008

Entre Nuvens

Um sol apertado,

entre nuvens,

um coração espremido

no peito,

um fim de noite,

sem jeito,

um amanhecer...



Anseio encontrar-me

entre sonhos

e pensamentos,

devaneios e ilusões,

e me dou um abraço,

querendo teimar,

embora o pranto

e o cruel desencanto,

de tanto te amar.



Se na escuridão,

de dor padece

minha insana alma,

meu coração se acalma,

porque também amanhece,

como um sol apertado,

alardeando a claridade

de um novo dia,

entre nuvens...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Antes do Amanhecer

A mansuetude da noite
está enfeitada
da claridade da lua,
linda,
a derramar-se
por sobre rostos
e corações,
em instantes de felicidade
infinda...

Entregue à solidão
de pensamentos
e saudades,
contemplo ao longe
o vôo lampejante de
apressados pirilampos
antes que os primeiros albores
do amanhecer
venham ofuscar
sua luminosidade,
como se fossem
corações ao desalento...

Ao longe,
ouço o canto triste
de algum tardio e boêmio
pássaro viajor,
em jornada de volta ao ninho.

E uma pergunta silenciosa
insiste em se apresentar:
Querida minha,
por que também não chegas
antes do amanhecer,
e não me trazes o teu Amor?