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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Salve o dia 12 de outubro!

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

POEMA DA ÁRVORE

As árvores crescem sós. E a sós florescem.



Começam por ser nada. Pouco a pouco

se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.



Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,

e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.



Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,

e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,

e os frutos dão sementes,

e as sementes preparam novas árvores.



E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.

Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.

Sós.

De dia e de noite.

Sempre sós.



Os animais são outra coisa.

Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,

fazem amor e ódio, e vão à vida

como se nada fosse.



As árvores não.

Solitárias, as árvores,

exauram terra e sol silenciosamente.

Não pensam, não suspiram, não se queixam.



Estendem os braços como se implorassem;

com o vento soltam ais como se suspirassem;

e gemem, mas a queixa não é sua.



Sós, sempre sós.

Nas planícies, nos montes, nas florestas,

a crescer e a florir sem consciência.



Virtude vegetal viver a sós

e entretanto dar flores.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Poema do alegre desespero

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo sentada num canapé junto de um vaso com flores.
Compreende-se.
E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,e passavam a vida inteira a fazer guerras,e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,e o resto tudo por aí fora,e a Guerra dos Cem Anos,e a Invencível Armada,e as campanhas de Napoleão,e a bomba de hidrogénio,e os poemas de António Gedeão.
Compreende-se.
Mais império menos império,mais faraó menos faraó,será tudo um vastíssimo cemitério,cacos, cinzas e pó.
Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.E o nosso sofrimento para que serviu afinal?