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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

VER E NÃO ENXERGAR

Uma folha cai de uma árvore...

Eu vejo mas... não me admiro!

é uma coisa tão corriqueira!

Uma rajada de vento toca meu rosto...

Eu sinto, mas não dou a mínima atenção,

é só mais um sopro de vento!!

Vejo uma flor vermelha, outra amarela...

É só mais uma e mais outra entre tantas!

Ouço palavras, risos, choros!...

Já me acostumei tanto com isso!!!

Vejo um mar azul se afunilando num horizonte infinito...

É mais um “pouco” de água neste imenso planeta.

Vejo pássaros dando mergulhos, alegres cantarolando,

ouço seus cantos alegres por estarem livres num espaço sem fim...

Que novidade!!

Então percebo um garoto vindo junto de sua mãe

que se chega a mim e me toca de repente.

“Desculpe, moço, ele não vê e não ouve” - diz ela. E continuam andando.

Quanta coisa o Criador quis me mostrar e eu

não quis ver, ouvir, sentir...

domingo, 28 de setembro de 2008

VER E NÃO ENXERGAR

Uma folha cai de uma árvore...

Eu vejo mas... não me admiro!

é uma coisa tão corriqueira!

Uma rajada de vento toca meu rosto...

Eu sinto, mas não dou a mínima atenção,

é só mais um sopro de vento!!

Vejo uma flor vermelha, outra amarela...

É só mais uma e mais outra entre tantas!

Ouço palavras, risos, choros!...

Já me acostumei tanto com isso!!!

Vejo um mar azul se afunilando num horizonte infinito...

É mais um “pouco” de água neste imenso planeta.

Vejo pássaros dando mergulhos, alegres cantarolando,

ouço seus cantos alegres por estarem livres num espaço sem fim...

Que novidade!!

Então percebo um garoto vindo junto de sua mãe

que se chega a mim e me toca de repente.

“Desculpe, moço, ele não vê e não ouve” - diz ela. E continuam andando.

Quanta coisa o Criador quis me mostrar e eu

não quis ver, ouvir, sentir...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Desejos

Disto eu gostaria:
ver a queda frutífera dos pinhões sobre o gramado
e não a queda do operário dos andaimes
e o sobe-e-desce de ditadores nos palácios.
Disto eu gostaria:
ouvir minha mulher contar:
-Vi naquela árvore um pica-pau em plena ação,
e não:-Os preços do mercado estão um horror!

Disto eu gostaria:
que a filha me narrasse:
-As formigas neste inverno estão dando tempo `as flores,
e não:-Me assaltaram outra vez no ônibus do colégio.

Disto eu gostaria:
que os jornais trouxessem notícias das migrações
dos pássaros
que me falassem da constelação de Andrômeda
e da muralha de galáxias que, ansiosas, viajam
a 300 km por segundo ao nosso encontro.

Disto eu gostaria:
saber a floração de cada planta,
as mais silvestres sobretudo,
e não a cotação das bolsas
nem as glórias literárias.

Disto eu gostaria:
ser aquele pequeno inseto de olhos luminosos
que a mulher descobriu à noite no gramado
para quem o escuro é o melhor dos mundos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Despir um corpo a primeira vez

Despir um corpo a primeira vez

é um conhecimento entre dois deuses.

Não se pode profanar o instante.

E os amantes devem manter o ritmo dos altares.

Porque, embora nesses rituais haja sempre

panos e trajes para agradar o Olimpo,

é pra nudez total que o céu nos quer quebrar.

As mãos têm que ter um compasso certo.

Um andante ou claro de Bach nos gestos,

compondo a alegria dos homens e mulheres.

As mãos, sobretudo, não podem se apressar.

Com os olhos têm que aprender e, com a ponta

dos dedos, contemplar os acordes que irão

surgindo quando, peça por peça,

o corpo for se desvestindo ao pé do altar.

Antes de se tocar com as mãos e lábios,

na verdade, já se tocou o corpo alheio

com um distraído olhar sempre envolvente.

E ninguém toca um corpo impunemente.

Despir um corpo a primeira vez não pode ser

coisa de poeta desatento colhendo futilmente

a flor oferta num abundante canteiro de poesia.

Nem pode ser coisa de um puro microscopista

que olha as coisas sabiamente.

Se tem que ser de sábio olhar,

que seja do botânico, porque esse saber aflorar

em cada espécie tem de mais secreto ou distante

o que cada espécie sabe dar.

Despir um corpo a primeira vez

é conhecer, pela primeira vez, uma cidade.

E os corpos das cidades têm portas para abrir,

jardins de pousar, torres e altitudes que excitam a visitação.

Quando os corpos se tocam por acaso,

como se estivessem indo em direções diferentes,

o que ocorre é desperdício.

Não se pode tocar um corpo impunemente.

Para se tocar um corpo completa e profundamente,

num dado instante, os corpos têm que se convergir.

E convergir com uma luz diferente

A descoberta do outro é isso, é convergência.

Despir um corpo a primeira vez

é como despir um presente, por isso não se pode

desembrulhá-lo assim às pressas, embora a gula

nos precipite afoitos sobre a pele ofertada.

Não se pode com as mãos infantis,

descompassadas, ir rasgando invólucros,

arrebentando cordões com gula que às crianças

só têm nas confeitarias antes da indigestão.

Um corpo é surpresa sempre.

É o que se vê nas praias,

nessa pública ostentação, nesse exercício coletivo

de nudez negaceada, em nada tira a eufórica

contentação do ato, quando os dedos vão

desatando botões e beijos,

e rompendo as presilhas das carícias.

Despir um corpo a primeira vez

não é coisa de amador.

Só se o amador for amador da arte de amar,

porque o corpo do outro não pode ter

a sensação de perda, mas a certeza de que

algo nele se somou, que ele é um objeto

luminoso que a outros deve iluminar.

Um corpo a primeira vez, no entanto,

é frágil e pode trincar em alguma parte.

E os menos resistentes se partem,

quando aquele que os toca,

os toca apenas com cobiça e nunca

a generosa mansidão de quem veio

pela primeira vez, e sempre, para amar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Deixa Que Eu Te Ame em Silêncio

Deixa que eu te ame em silêncio.
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas e a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida fossem um discurso
de impronunciáveis emoções

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Deixa Que Eu Te Ame em Silêncio

Deixa que eu te ame em silêncio.
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas e a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida fossem um discurso
de impronunciáveis emoções...