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terça-feira, 25 de setembro de 2007

CÉU DA POESIA

É claro que estamos
Sob o céu da poesia
E discutimos ardorosamente
Sobre o véu da alegria
Senão como é que as noites seriam belas
É claro, dores sentimos
Mas não a vemos penduradas nas estrelas

Nós fazemos um ensaio diário de felicidade
Pondo em pauta nossas diretrizes e regras
Tudo em capaz cumplicidade
Numa tentativa de bem viver sem andar às cegas

E ao fim da nossa batalha diária
É hora de elevarmos nossa prece
A estrela que nos guia
Porque com ela dormimos até quando amanhece
E assim temos a certeza de um lindo dia

PORTO PÉTREO

Era um sonho, ou um vento
Acordar sem medo de recomeçar
Nem o horror do sofrimento
A barca dos sonhos a navegar

Ao porto vazio de vida
Inerme de paixão, mais nada
À continuidade do amanhecer.
Oh lua que brilhas minha alma sentida
Deixai escondida a noturna fada
Porque o dia já espera acontecer

As asperezas das coisas atuais
Suportarão semelhança de fatos vindouros?
Terei minhas feridas ao atracar no cais?
Será diferente em outros ancoradouros?

Penso na demência da terra
E na fúria dos acontecimentos vãos.
São meus os pensamentos em guerra,
De pisar na guerra de outros chãos?

E já que pétrea é a vida,
Pisarei nas pedras do caminho,
Lá fora me protegerá da ferida,
Um torto e inocente anjinho.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

CRIANÇAS E A FORÇA

Quais forças ponderam
E influenciam a existência da miséria...
Que ares de inconsciência fizeram
Abrir olhos insones e chorosos
Vestindo trapos,
Dependentes da matéria...
Implorando cama,
Passando drama,
Implorando alimento,
Passando tormento,
Implorando clemência,
Um pouquinho de assistência,
Amor sem dor,
Somente... Somente!
Isto não é uma cobrança,
Pedir não implica cumprir.
Estou falando de consciência
E não há nada que se possa omitir;
Eu estou falando de criança,
Eu estou falando de existência!

Oh Deus
Quem sustenta tanta dor,
Bocas ocas
E barrigas vazias,
Corpos frágeis,
Pele ossos e atrofias?
Quantas mãos carentes!
Quais consciências dormem tranqüilas,
indiferentes, a sono solto,
Insensíveis ao horror de tanto sofrimento,
Apenas para garantir seu posto e poder,
Para sustentar tudo a seu bel prazer.

Será que o reino dos céus
Abrem suas portas
Para sorrisos amarelos?
Será que sobre a ignorância
Sempre haverá um véu?

Crianças existem em todo mundo...
Negras, brancas, índias, ricas pobres,
Crianças analfabetas,
Civilizadas, inocentes,
Indefesas, transparentes.


Em todas as partes do mundo
Mexem-se os dedos do poder,
Manipulando sistemas,
Agarrando fortunas,
Apontando defeitos;
O outro lado da força
Avessa a todos os direitos.

Será que neste mundo
Ainda cabe um paraíso,
Ou se apagarà aos poucos
Este caos profundo,
Com a morte vergonhosa
De cada sorriso?
Será que sobre suas mortes
Só se escreverão tratados médicos?
É difícil pensar em crianças
Penando assim
E falar de amores
Em pequenas linhas poéticas,
Escritos e tratados estéticos.
É difícil dormir tranqüilo,
Sabendo que sem elas
Nosso futuro beira um trágico fim.