terça-feira, 9 de setembro de 2008

Por que só agora, coração?

Por que só agora, coração,
Você se mostra tão sensível?
Por que tão intrépida reação,
Ao sabor de um amor impossível?
Por que, coração, só agora,
O amor lhe faz tanto estrago?
Sinto, irreversível, indo embora,
A tênue esperança que ainda trago.
Nesta rota da existência, tão comprida,
Pródiga em fortes emoções também,
Tarde, surgiu a mulher de minha vida,
E a você, coração, não fez nada bem.

Você, coração, maduro e calejado,
Sentiu bastante aquilo que eu temia,
Acusou muito forte o golpe, debilitado;
Derrota dura do amor para a poesia.
Uma pilha de sentimentos você carrega,
Tal e qual um artesão de meu destino,
Ainda espero que se safe dessa refrega,
Saindo incólume de todo esse desatino.
Volte à calmaria, coração, por favor!...
Tudo vamos, sim, superar passo a passo;
Nem todo poeta se domina pelo amor,
Por favor, recupere logo seu compasso.

Coração, quero senti-lo forte ao peito,
Superando dissabores como meta,
Curvo-me, derrotado, a um sonho desfeito
Pelas aspirações de quem nasceu poeta.