quarta-feira, 10 de setembro de 2008

E O PALHAÇO CHORA

Chora-lhe a alma enquanto os olhos riem

é assim o palhaço original

vertendo da existência o pior mal

no âmago de si, sem outros o sentirem



E na dor mergulhado, finge ser

da hilaridade o seu senhor

mas fica-lhe a tristeza por penhor

vergando-lhe ao desgosto o padecer



Na pobreza das vestes é grotesco

desfigurada a face à alquimia

querendo tornar veraz sua alegria

que lhe acentua o esgar quase dantesco.



Mas se o cobre riqueza bijouteira

e a alvura lhe manda na aparência

perante a contradição da evidência

quase aflora a demência tal bobeira.