MÃOS CAPPAZES
Se me fosse dado a escolher, gostaria de ter as mãos de Madre Teresa de Calcutá
que construía a fé e distribuía conforto aos desgraçados;
as de Beethoven que compôs uma das mais lindas melodias ao ouvido dos mortais,
a Sonata ao Luar; ou, ainda,
as mãos de Lúcio Costa e de Oscar Niemeyer que desenharam e executaram Brasília,
um monumento à modernidade, no âmbito da arquitetura; ou ,quiçá,
as mãos de um anônimo candango que ergueram essa cidade.
Porém, sou como Drummond:
tenho apenas duas singelas mãos para o tanto que há a fazer,
e carrego comigo este sentimento de consciência coletiva, ou do coletivo,
e me pergunto, como o Poeta Maior; "E agora. José?"
No entanto, há inúmeras outras mãos:
mãos devastadoras, bélicas, criminosas,
do norte, do sul, de todos os quadrantes que acabam com a vida dos seres,
do espaço, do planeta envenenando, mesmo, o ar de que todos necessitam.
Ás vezes, chegamos a pensar que, se nossas mãos não agirem rapidamente,
chegaremos ao fim da viagem muito cedo.
Usar as mãos é como assinar um contrato imenso com letras bem claras,
com vocábulos precisos tipo sei o que faço, sei o que quero.
Assoladas por obscurantismos que estão além da alma,da psicanálise,
pela vaidade ou poder,pela dor e pelas ausências e lacunas do homem,
nem todas as mãos agem daquela maneira.
Ao contrário, caem em desgraça e cometem equívocos que atingem e envergonham toda a humanidade,
todos os sistemas sob e sobre a face da Terra. Essas são as mãos, também!
Nós, os que carregamos "o sentimento do mundo",
temos e devemos ser CAPPAZes de elevar nossas mãos ao alto
para construir o melhor que pudermos,
ainda que em curtas fantasias;
por vezes perdoando nossas próprias epifanias;
deixarmos de lavar as mãos, como Pilatos, e
realizarmos nossa tarefa diária de esperança e benesses (para os outros),
porque, sem as mãos do outro, nós nada somos.
As nossas mãos são as mãos do outro e...
como numa ciranda eterna....
Chegará o dia em que todas as pessoas
dar-se-ão as mãos formando uma grande ciranda em torno do mundo? Temos ainda chance de?

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