sábado, 10 de maio de 2008

Infância

Tantas vezes nos fizemos surdos.
Nada havia que escutar e no entanto
nos fizemos surdos para ouvir
o que imaginávamos saber.
Fomos o que as aves nos disseram:
queda no vácuo de viver, planar,
planar porque o vôo
era a quebra das quimeras.
Pensamos na infância
como a face do existir.
A chuva a nos trazer presságios
e os minutos passando.
Pouco nos falamos
para poder ouvir a tempestade:
noite do tempo em que tecíamos
uma rede de pátinas antigas.