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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A vaquinha e a família

Um sábio passeava na floresta com seu discípulo. Ao anoitecer, foram se abrigar numa casinha pobre, caindo aos pedaços. Nela moravam um casal e seus três filhos, malvestidos, sujos e magros. Eles sobreviviam à custa de uma vaquinha. Ela produzia alguns litros de leite por dia. Uma parte do leite era aproveitada pela família e a outra servia para comprar uma pequena quantidade de alimentos e roupas. Pela manhã, o sábio agradeceu a acolhida e retomou seu caminho. Logo adiante avistou a vaquinha e pediu que seu discípulo a empurrasse no precipício, matando-a. O discípulo não era de questionar ordens, mas a cena o perturbou. Sem a vaca havia terminado as possibilidades de subsistência daquela família.

Transcorreram três anos e o discípulo passou pela mesma região. Resolveu visitar a casinha e... surpresa. Em lugar da cabana existia uma bela residência.Ao redor dela pastavam animais, trigais ondulavam ao vento e árvores exibiam frutas maduras. Logo apareceram o pai, a mãe e os três filhos, saudáveis e bem vestidos.

O visitante perguntou a razão da mudança. O pai explicou: "Nós tínhamos uma vaquinha, mas ela caiu no abismo e morreu. Não tínhamos alternativas. Sem a vaquinha nos obrigamos a fazer outras coisas: plantar árvores, criar animais, fazer coisas que nunca tínhamos feito antes".

Há crises que significam sofrimento e retrocesso. Há pessoas que não têm coragem suficiente de empurrar a vaquinha para o abismo e tentar novas alternativas. Agarram-se a falsas seguranças e morrem a elas abraçadas.

A história nunca falou dos covardes. Fernão Cortez, ao invadir o México, diante do medo de seus comandados, mandou queimar os navios, impossibilitando a fuga deles. A vaca foi para o abismo e Cortez venceu o desafio. Esta coragem é necessária também às pessoas. Nós não conhecemos os nossos limites. Uma vez desafiados, criamos coisas surpreendentes. Mas para isso é necessário assumir o risco, empurrar a vaquinha da segurança barranco abaixo.

E Jesus ensinava seus discípulos, dizendo: "Não tenham medo! Coragem! Eu venci o mundo".

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cercas ou pontes

Eram dois irmãos; irmãos para os bons e os maus momentos. Brincaram juntos na infância, freqüentaram a mesma escola, a mesma igreja e as mesmas festas. Namoraram e casaram com duas irmãs e se instalaram em fazendas vizinhas. Vieram os filhos e as duas famílias eram uma só família, as duas fazendas
uma só fazenda. Batizaram um o primeiro filho do outro. A harmonia era perfeita e as duas fazendas prosperaram. Símbolo da fartura e da bênção, um riacho unia as duas propriedades.
Um dia ocorreu uma desavença entre eles. Coisa insignificante. Mas não houve conserto e a amizade de tantos anos desapareceu, e com ela perdeu-se a alegria. Nada mais fazia sentido, senão o ódio recíproco entre os irmãos. E o ressentimento tomou conta do coração de todos, não respeitando irmãos, cunhadas, sobrinhos, padrinhos e afilhados.
Numa manhã, um carpinteiro bateu à porta do irmão mais velho com uma caixa de ferramentas na mão. Estava à procura de trabalho. O fazendeiro disse que tinha trabalho para muitos dias: "Vê aquela fazenda além do riacho? É do meu vizinho. Ou melhor dizendo, do meu irmão mais novo. Brigamos e não mais posso suportá-lo. Vê aquela pilha de lenha e rolos de arame no celeiro? Quero que construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que não mais precise vê-lo. No celeiro existem pregos, martelo e todo material necessário".
Como precisasse ir à cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar material, deu instruções precisas sobre a direção e altura da cerca e partiu. Regressando à noitinha, lá estava o carpinteiro, em frente da casa. Surpreendentemente, havia terminado o trabalho. O fazendeiro encheu-se de raiva:
"Você é muito insolente! Mandei construir uma cerca e você edificou uma ponte...".
Estava ainda esbravejando contra o carpinteiro quando viu o irmão mais novo, sorridente, com os braços abertos atravessando a ponte e clamando: "Mano, esperei tanto tempo por este dia...". E após um instante de constrangimento, os irmãos se abraçaram e as lágrimas que correram de seus olhos reduziram a pó o ressentimento de tantos anos. Depois vieram as esposas e os filhos, e as lágrimas purificaram aquele recíproco ato penitencial. Emocionado, o irmão mais velho pediu ao carpinteiro, que estava partindo: "Espere, fique conosco, fique para a festa da reconciliação". Mas o carpinteiro esclareceu:
"Adoraria ficar, mas tenho muitas outras pontes para construir...".

Nosso mundo tem cercas demais e pontes de menos. Rupturas, desentendimentos,incompreensões...
Ofensas tendem a se perpetuar entre irmãos, casais, comunidades, nações... E com o passar dos anos, a separação aumenta e novas cercas são construídas. E muitas vezes essas rupturas se tornam definitivas.
É preciso que alguém tome a iniciativa de construir uma ponte. Quem? Não importa quem é o culpado, quem começou a desavença. A responsabilidade de construir a ponte é de todos. Certamente, a iniciativa será do mais inteligente.