quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O tédio e a tempestade

Tem dias que são assim mesmo,
dias de desencontro perfeito;
o que eu sonho, se distancia,
e o que eu menos quero,
é o que mais se aproxima.

As tardes são
caminhos monótonos
para a noite,
que é uma estrada de
linhas retas,
sem fim.

O sonho não chega,
e quando vem,
é sem cor.

Dias onde as noites são
sempre assim,
cinzas,
como céu sem estrelas,
praia sem ondas,
rio sem marolas.

E quando começa
acreditar que nada vai mudar,
chega uma chuva
de emoções,
uma tempestade de novos
sentimentos,
uma ventania de razões
que destoa de tudo,
é o amor,
a paixão fulminante,
que tudo transforma,
torna tudo tão vibrante.

Assim, seu jardim,
outrora seco e sem vida,
se enche de flores,
nesse peito de amores,
onde o nada é tudo,
e o tudo,
apenas uma partícula.

Quando estamos amando,
as noites se enchem de perfume,
os dias são preenchidos
pela esperança,
a alma fica doce,
com jeito de criança.

Que o amor tome conta
da sua vida,
e antes que você reclame,
ou diga,
que já sofreu demais,
que não acredita no amor,
deixe de lado esse sentimento bobo,
esse rancor.

Prepare-se para viver
a plenitude.

O amor não pede para entrar,
ele invade,
não é mansidão,
nem quietude.

Prepare-se!

O amor está onde não
o procuramos,
está onde sempre esteve,
tão perto e tão longe,
ao alcance das mãos aflitas,
bocas sedentas,
de corpos ansiosos,
coração que esquece a razão,
é pura emoção.

Se as mãos tremerem,
o coração disparar,
se não conseguir desviar o olhar,
se não conseguir esquecer,
não adianta correr,
nem tentar se esconder,
o amor te pegou e agora é só viver.