Baças virtudes
São baças as virtudes desta era
Como baças as gentes que a dirigem
Varrem-se os dogmas, nada é mais virgem
Lavra a indiferença nas máscaras de cera
Vê-se c’roar de glória a arrogância
O que antes foi expressão hoje é mordaça
E a verdade tornou-se coisa baça
Nas bocas dos mentores da ganância;
Aqueles cujos meios ultrapassam
As lógicas mais pródigas da ética
Numa demonstração da vil genética
Que orgulhosos cultuam e abraçam
E assim, de retrocesso em retrocesso
A sociedade vê gorar-se a esperança
De ver nos olhos (baços) de cada criança
A afirmação de um homem de sucesso









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